Salmonella é uma bactéria usualmente encontrada no trato intestinal de animais domésticos e selvagens, especialmente das aves e dos répteis. Nos animais, o estado de portador é comum. Inúmeros sorotipos de Salmonella são patogênicos para os animais e o homem. Em muitos países em que há vigilância de Salmonella, a Salmonella typhimurium e a Salmonella Enteritidis são as mais freqüentemente identificadas.
As pessoas que se infectam com Salmonella podem apresentar uma doença chamada salmonelose, vindo a manifestar alguns dos seguintes sinais e sintomas: mal estar, cefaléia, anorexia, febre, cólica, vômito/náusea, diarréia e desidratação. O período de incubação mínimo é de 6 horas e o período de incubação máximo é de 72 horas, sendo que, na maioria dos casos, o período de incubação varia entre 12 e 48 horas. A doença clinicamente manifestada, em pessoas até então saudáveis, costuma ser auto limitada e durar de 4 a 7 dias, porém o indivíduo pode continuar eliminando os microrganismos através das fezes em período posterior à cura clínica. A administração de antibióticos pode aumentar o tempo de excreção fecal dos microrganismos. O estado de portador é raro no homem.
As pessoas podem expor-se à Salmonella de várias maneiras, porém a mais comumente documentada á através da ingestão de alimentos de origem animal (carne, frango, leite ou ovo) contaminados com esta bactéria e ingeridos crus ou insuficientemente cozidos. Eventualmente outros alimentos que estiverem em contato com a água contaminada, tais como moluscos bivalvos e verduras, também podem ser contaminados. Assim, a salmonelose está classificada como uma enfermidade transmitida por alimentos (ETA). Tais relatos tem divulgado aumento no número de surtos-epidêmicos causados por um tipo específico de Salmonella, a Salmonella Enteritidis.
Tratamento
Em geral a salmonelose é autolimitada. O tratamento é sintomático com reposição hídrica e de eletrólitos, utilizando antitérmicos e antieméticos. Pacientes com desidratação grave devem receber hidratação intravenosa. Os inibidores do peristaltismo podem favorecer a invasão bacteriana sendo contra-indicados.
O uso de antibióticos não abrevia a doença e pode aumentar o período de excreção da salmonela. Os antibióticos são recomendados para pacientes menores de três meses, idosos, pacientes com doenças de bases e/ou imunodeficientes.
Epidemiologia e patogenia
Alguns sorotipos de salmonela são adaptados apenas a determinadas espécies animais ou apenas ao homem, enquanto outros infectam indiferentemente o homem e alguns animais.
Como estas salmonelas são veiculadas por alimentos, principalmente por leite, ovos e seus derivados e produtos avícolas, a infecção também é conhecida por toxinfecção alimentar.
Galinhas portadoras de salmonela transmitem a bactéria ao ovo. A transmissão pessoa-pessoa é mais rara e está presente nas crianças menores, uma vez que não possuem ainda hábitos próprios de higiene e contaminam outras crianças através da transmissão fecal-oral.
Um outro modo de transmissão é através de pessoas portadoras de salmonela com maus hábitos de higiene e que preparam refeições para outras pessoas. Se o membro de uma casa infectar-se, a chance de qualquer outra pessoa da casa se infectar é ao redor de 60%. Em crianças com menos de um ano de idade e em pacientes imunodeficientes ou com patologias de base, a infecção pode ser grave com disseminação da salmonela para outros órgãos do corpo.
A existência concomitante de esquistossomose pode modificar o comportamento da salmonelose, causando bacteremia, febre, evolução prolongada, anemia e esplenomegalia. Os vermes transportam a salmonela ao intestino e tegumentos, locais onde os antibióticos não têm boa penetração.
Após a infecção e tratamento da salmonelose o paciente pode tornar-se portador crônico, que é definido como o indivíduo com excreção assintomática de Salmonella no mínimo durante um ano.
Nos portadores crônicos da S. typhi, a bactéria permanece na vesícula biliar sendo eliminada constantemente nas fezes. Esses pacientes devem ser seguidos com culturas de fezes periódicas.
O desenvolvimento de doença após a infecção pela Salmonella depende do número de organismos infectantes (tamanho do inóculo), de sua virulência e de vários fatores de defesa do hospedeiro.
A acidose gástrica inibe a atividade de multiplicação das salmonelas, assim, qualquer fator que leve a uma diminuição do pH pode facilitar a entrada da salmonela. Recém-nascidos têm hipocloridria e esvaziamento gástrico rápido, aumentando suas chances de ter salmonelose sintomática.
O início da infecção ocorre na mucosa intestinal. As salmonelas atravessam a camada epitelial e proliferam na lâmina própria da mucosa causando enterocolite, sem invasão da corrente sangüínea. Quando há infecção sistêmica, os linfonodos mesentéricos são invadidos. As bactérias vão proliferar no fígado e baço e depois em outros órgãos. A forma sistêmica da infecção é semelhante à febre tifóide.
A salmonela entra na célula epitelial pela porção apical dos enterócitos ou através da célula M, localizadas sobre a Placa de Peyer (tecido linfóide). Ocorre um gasto de energia pela célula do hospedeiro (processo ativo). Após a fagocitose, que em geral ocorre pelas células M, as bactérias são transportadas para os macrófagos da Placa de Peyer, nos quais permanecem dentro dos fagossomas.
A salmonela produz uma molécula que desencadeia alterações na célula hospedeira, inclusive em seu citoesqueleto. A diarréia causada pela salmonela pode ser decorrente da produção de leucotrienos, que levam a um aumento do AMP cíclico e à secreção ativa de fluidos.
Se a salmonela atinge a corrente sangüínea é capaz de causar infecção focal e abcessos em qualquer órgão 
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